terça-feira, 21 de junho de 2016

03

12 horas
Acordei tarde, atrasado, errado, numa tremenda baderna, tava frio, não arrumei nada, mas fui seguindo. Tive umas tantas ideias incríveis que soaram extremamente promissoras, claro, não botei nenhuma em prática. Saí, precisava sair, entrei numa bagunça ainda maior. Caminhei pela Avenida Paulista tão sozinho, tão confuso, em meio àquela multidão de pessoas, no metrô, cheio e barulhento li algumas páginas dum livro quase já esquecido na minha mochila, as palavras estavam todas soltas, embaralhadas, nada coerente, tudo errado e confuso, fechei o livro, guardei. Voltei pra rua, os carros andavam todos virando pra lá e pra cá, cada um numa velocidade diferente. Começou uma garoa fina e irregular, o vento a fazia completamente instável, gota aqui, gota acolá, nada uniforme. Entrei num boteco no qual todos que estavam lá tinham infelicidades diferentes, nenhum reclamava a mesma causa, comprei um vinho barato e saí bebendo. A garoa parou. Já era noite e as luzes todas parecem tão distintas, não iluminam juntas como de costume. Que bagunça! Parei num jardim, desses fechados, urbanos, sentei em um banco. Acendi um cigarro, antes da metade apaguei, quero parar, uns minutos depois desisti de parar, acendi outro. Tentava aceleradamente fugir dum pensamento ou outro negativo e isso fez uma zona na minha cabeça. Notei meu cadarço desamarrado, fui amarrar, havia um nó, desfiz, fiz um laço. De volta aos meus pensamentos, tentei ir passando por cada um, agora lentamente, e pescando neles o que havia de melhor, tentando controlar toda aquela divagação. Levantei e fui embora, já havia fumado quatro cigarros, pra quem estava parando é muito. Me policiei e não andei rápido, não tô com pressa. Vi um cartaz colado num muro sujo, parei, li, foi algo que me fez sentido, agora não lembro mais o que estava escrito, continuei caminhando. 
Agora toda aquela bagunça já está se dissipando, ou cansou de me atazanar, também, já se passaram doze perturbadas horas. 
Vou sossegar, ouvir uma música, deitar. 
Tentar continuar mais um tempo longe de toda essa bagunça que me revirou hoje. Fez um daqueles dias onde a gente não entende nada, não consegue fazer nada, sentir nada, só o sufoco da bagunça mesmo. Preciso me controlar, levei uns cinco minutos nessa ultima linha e já estava com meu pensamento lá naquele dia triste, que bobagem a minha. Mas não sei se devo me render a ela e ser bagunçado ou arrumo tudo. Já tá tudo ficando errado novamente. Que bagunça!