quarta-feira, 5 de outubro de 2016

07

Medroso
Esse ano decidi que precisava começar numa faculdade, tomar um rumo, começar algo mais sério que eu gostasse e me empenhasse pra fazer dar certo. Agora os vestibulares para os quais me inscrevi estão bem próximos e estou me sentindo muito mal, tô com medo, ansioso e já um bocado arrependido de não ter feito meu melhor no que diz respeito aos estudos durante esse ano que passou.
Hoje foi um dia no qual não quis sair pra nada, fiquei em casa quieto, pensando que preciso estudar, estudar mil coisas em cinco dias e outras mil nos outros 25. Foi um dia onde não aconteceu nada e, mesmo assim, por ficar remoendo pensamentos todos destrutivos e que me colocassem pra baixo foi uma merda. Teve um momento que cheguei num ponto tão insuportável que, depois de muito tempo, me sentei em frente a televisão e fiquei procurando por algo para assistir na esperança de ficar um momento que fosse ocupado com qualquer coisa que estivesse passando e não pensar no resto.
Mas agora no começo da madrugada entendi o que está acontecendo, tô envelhecendo, ficando velho no pior aspecto, tô medroso, querendo evitar me arriscar a fazer algo que a princípio eu desejava, estou receoso.
Sei o quanto importante é esse momento de vestibular e tudo mais, se quero isso devo arriscar e ir procurar uma faculdade, buscar por uma profissão. Mas não posso agir de maneira tão rigorosa comigo, se der certo ótimo, caso não tenha uma resposta positiva tudo bem também, não posso surtar, tento ano que vem e depois se for preciso mais uma vez e até quando der certo. Ter 20 anos e não estar numa faculdade, nem ter um emprego ou decisões formadas sobre tudo é okay.
Tenho que parar com esses pensamentos do tipo: tá tudo dando errado e qualquer negativa que tiver será o fim”, pois não será, isso pode ser uma oportunidade de fazer novamente e melhor, mais preparado, tudo que nos acontece nos faz aprender. E talvez algumas vezes represente o fim, mas o fim de uma fase, de alguns planos que precisavam serem mudados, talvez que precisassem deixar de existir para abrir espaço para novos sonhos.
Há algumas metas, cobranças que nos fazem bem, nos incentivam a ser alguém melhor, nos movem para frente. Porém as vezes, seja pela comparação ou imposição externa, isso causa sofrimento, a gente se sente pressionado, uma mistura de angústia, ansiedade e frustração, daí é uma bobagem continuar com essas prioridades, elas devem ser deixadas para trás. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

06

Numa pior
Por que temos sempre que chegar no fundo do poço parar então percebermos que já estamos numa pior?
Eu sou o senhor dos planos, ideias e novos estilos de vida, mas sempre me traio e este não é o ponto do qual quero falar agora, nesse momento tô me perguntando como cheguei tão longe, tão fundo e só agora fui ver aonde estou. Sempre com aquela tolice de é só mais uma bebida, só mais um cigarro, afinal não sou um viciado... Terça-feira decidi que ia parar de fumar e beber, quarta-feira foi um inferno e hoje voltei com o cigarro e o álcool.
E agora estou super mal, me sentindo muito mal mesmo, frustrado, arrependido, triste, me sentindo um fracassado. É até engraçado, mas enquanto tinha a ideia de que só faço isso porque quero, pra me divertir, eu estava muito bem e estas coisas acabavam me ajudando a atingir um suposto bem-estar, me divertia com elas, ria dos ocorridos e do que isso me proporcionava, mas agora que percebi o que estava acontecendo se tornaram monstros para mim. Me machucam e me fazem muito mal.
Talvez eu seja uma daquelas pessoas que são cronicamente depressivas, viciadas ou compulsivas (ou ambas) e isso justificaria o fato de ter sido uma criança acima do peso, um adolescente com distúrbios alimentares do tipo anorexia e muito magro consequentemente, um jovem adulto fumante em demasia e agora isso que sou. O que temo é o fato de não saber se isso é algo findável, se sempre vou ser assim, é lógico que há hábitos que não são nada nocivos, mas não quero ser sempre alguém dependente seja lá do que for. Sabe, estou com medo.
Isso tudo me afasta de muitos de meus objetivos, dos meus sonhos. Estou virando uma pessoa que não mais reconheço. Estou virando alguém cheio de características pelas quais eu teria pena. Poucos minutos atrás fui comprar mais um maço de cigarro, e hoje está um daqueles frios com bastante vento, um desses dias que você sente o clima na sua pele e nota que está vivo, então consegue se perceber e pensar sobre você e o que pensei é que estou com problemas, até mesmo tive noção de que preciso de ajuda, o que é inútil já que não tenho coragem de pedir.
Outro fator que soma para como estou me sentindo é já ter estudado, pesquisado tanto sobre desenvolvimento pessoal, espiritualidade e tudo mais, desde auto-ajuda barata até essas mais no estilo filosofia e ver que estou totalmente na contra-mão de tudo que sei ser o melhor pra mim. Mas também tenho firme na memória algo que dizia que não importa o que está acontecendo, aonde estamos, nós podemos recomeçar, renascer, se não está dando certo começa amanhã tudo de novo, e tentarei novamente, dessa vez com mais força e empenho, preciso, tô mal.
Quem sabe um dia desses para e pense: porra, já estive numa pior, foi difícil mas também necessário para minha história, olha aonde cheguei e se não fosse por isso eu não teria me tornado o que sou hoje (um hoje que amanhã, outro dia, depois).

sábado, 27 de agosto de 2016

05

Rotina do dia
Quando criança todos os dias ao chegar no colégio a professora passava a "rotina do dia" eu sempre copiava sem entender o porquê já que não tinha o poder de mudar nada citado lá e fazer do meu jeito. Nunca me dei bem com a maioria das coisas que requerem um planejamento, sou contra ter hora pra isso e hora para aquilo, é uma chatice. 
Mas fui crescendo e viver na bagunça mesmo que surpreendente algumas vezes nem sempre funciona e uma hora tive que ceder e comprar uma agenda, um bloco para anotações, post-its e coisas do tipo. Agora acabei de criar uma nova rotina diária, como já fiz algumas vezes e fracassei na execução, mas dessa vez se por em prática parece incrível. Organizei até mesmo os afazeres do domingo, tudo com início programado para duas horas depois de como é durante a semana, claro. 
Estou animado, a tempos venho adiando muitos interesses, a caixinha de aquarela está na gaveta junto com o godê desde janeiro, uma pilha de livros na estante, e uns tantos assuntos a estudar anotados nas ultimas folhas do caderno, tudo esperando o dia perfeito e adequado, o bendito que nunca vem e a gente fica aqui parado esperando. Mas agora chega de procrastinar, domingo às 16:30 vou usar pela primeira vez a aquarela que está guardada faz tanto tempo, depois irei ler aquele livro que comprei num sebo quando estava de férias e por ai vai. 
Em contrapartida e aquele encontro inesperado com um querido amigo de longa data, daqueles nos quais normalmente vamos pelo caminho mais longo para tentar, se é que é possível, por a conversa em dia, não dá pra agendar um horário para isso ou o que farei quando estiver passando meu filme preferido na televisão? E nem quero pensar no dia que passar na casa da minha avó só para falar um oi e ela estiver fazendo bolinho de chuva e chá de camomila, pois ai não haverá o que ser feito, esqueço a agenda. Nesses momento que volto a achar um saco isso de horários, tanta coisa boa que não precisa de hora pra acontecer e muito menos pra terminar e eu vou ficar me preocupando com dois ponteiros? Me nego a separar x minutos/horas para beber algo enquanto jogo conversa fora com quem gosto, se o papo estiver bom vou ficar até às tantas. - Isso mesmo, já estou tentando encontrar motivos para desqualificar o que há de bom em seguir uma rotina e ser mais organizado, o quão produtivo e saudável pode ser. 
Bom, seguindo o que diz aqui no meu cronograma, só tenho mais 6 minutos para escrever isso, depois é hora de estudar matemática então vou finalizar por aqui. Tentarei, na verdade me prometi tentar, seguir direitinho a minha lista de afazeres e vou mesmo. Mas deixei bem claro no rodapé do meu calendário, caso receba uma mensagem de alguma pessoa querida me convidando para sair ou fazer algo que não estava no programado e eu queira ir, vou sem receios ou arrependimentos, depois volto pra rotina que também me parece legal. Droga, já estou 2 minutos atrasado, tchau!

sábado, 13 de agosto de 2016

04

Sábado à noite
Acesso o Facebook e vejo sua foto, você está sorrindo com seus amigos num boteco. E este é o sentimento mais contraditório que sinto, uma felicidade tão infeliz, amarga mesmo, gosto de te ver feliz, teu sorriso te faz mais lindo, mas tudo me é dolorido, queria estar contigo. E vem aquela sensação de que você já perdeu a pessoa pra sempre, e sabe que não deve, tem que seguir em frente, mas fica triste, bem triste.
Com o tempo estou aprendendo e já li um bocado sobre o budismo, tento me desapegar de querer você, do desejo que sinto em estarmos juntos.
Agora estou desistindo, desistindo de tudo que me tornei por você, fiz tanto e tenho que entender que foi em vão, o novo corte de cabelo, as roupas que comprei, parei de tomar Coca-Cola, largarei a academia, repenso o porquê de estar estudando para te agradar, até mesmo medito agora todos os dias, você dizia que eu era muito ansioso e tentei mudar por você, mas cansei, não vale de nada, agora irei mudar por mim, pra mim.
Você seguirá sua vida, assim como já faz e eu aprenderei a seguir a minha, do meu jeito, como me for conveniente, cada um em sua trajetória, quando nos esbarrarmos por ai será um daqueles encontros rasos e frios de quem já conversou por horas e trocou tantas gargalhadas, de quem já olhou no olho do outro e se sentiu completo e no momento serão apenas colegas, antigos conhecidos. É patético isso que escrevo, não sei se o plural é conveniente, afinal eu senti isso tudo e acredito que se você tivesse sentido o mesmo agora as coisas seriam diferentes, estaríamos um do lado do outro.
Aos poucos vou me sentindo mais leve, carregava uma porção de "tenho que fazer isso ou não posso fazer aquilo" e agora posso me livrar disso, vou tomar coca com vodka e depois fumar um cigarro e tudo bem se meu cabelo que ainda está úmido ficar cheirando cigarro, você não está mais aqui para reclamar.
Sabe de uma coisa, foi bom, obrigado! Me diverti, aprendi novas coisas, cresci, me fiz melhor para ti e mesmo que não me queira fico com tudo isso, levarei comigo, quando em meu caminho o peso incomodar deixo por ai, por hora, o que me faz bem continua comigo.

terça-feira, 21 de junho de 2016

03

12 horas
Acordei tarde, atrasado, errado, numa tremenda baderna, tava frio, não arrumei nada, mas fui seguindo. Tive umas tantas ideias incríveis que soaram extremamente promissoras, claro, não botei nenhuma em prática. Saí, precisava sair, entrei numa bagunça ainda maior. Caminhei pela Avenida Paulista tão sozinho, tão confuso, em meio àquela multidão de pessoas, no metrô, cheio e barulhento li algumas páginas dum livro quase já esquecido na minha mochila, as palavras estavam todas soltas, embaralhadas, nada coerente, tudo errado e confuso, fechei o livro, guardei. Voltei pra rua, os carros andavam todos virando pra lá e pra cá, cada um numa velocidade diferente. Começou uma garoa fina e irregular, o vento a fazia completamente instável, gota aqui, gota acolá, nada uniforme. Entrei num boteco no qual todos que estavam lá tinham infelicidades diferentes, nenhum reclamava a mesma causa, comprei um vinho barato e saí bebendo. A garoa parou. Já era noite e as luzes todas parecem tão distintas, não iluminam juntas como de costume. Que bagunça! Parei num jardim, desses fechados, urbanos, sentei em um banco. Acendi um cigarro, antes da metade apaguei, quero parar, uns minutos depois desisti de parar, acendi outro. Tentava aceleradamente fugir dum pensamento ou outro negativo e isso fez uma zona na minha cabeça. Notei meu cadarço desamarrado, fui amarrar, havia um nó, desfiz, fiz um laço. De volta aos meus pensamentos, tentei ir passando por cada um, agora lentamente, e pescando neles o que havia de melhor, tentando controlar toda aquela divagação. Levantei e fui embora, já havia fumado quatro cigarros, pra quem estava parando é muito. Me policiei e não andei rápido, não tô com pressa. Vi um cartaz colado num muro sujo, parei, li, foi algo que me fez sentido, agora não lembro mais o que estava escrito, continuei caminhando. 
Agora toda aquela bagunça já está se dissipando, ou cansou de me atazanar, também, já se passaram doze perturbadas horas. 
Vou sossegar, ouvir uma música, deitar. 
Tentar continuar mais um tempo longe de toda essa bagunça que me revirou hoje. Fez um daqueles dias onde a gente não entende nada, não consegue fazer nada, sentir nada, só o sufoco da bagunça mesmo. Preciso me controlar, levei uns cinco minutos nessa ultima linha e já estava com meu pensamento lá naquele dia triste, que bobagem a minha. Mas não sei se devo me render a ela e ser bagunçado ou arrumo tudo. Já tá tudo ficando errado novamente. Que bagunça!

sábado, 14 de maio de 2016

02

Definitivamente a nossa vida se basea na expectativa. 
Eu, atualmente estudo com a expectativa de uma consiguir algum tipo de bolsa numa faculdade. 
Outras pessoas, que já estão na faculdade, continuam aguentando seus próprios calvários pois acreditam que isso lhe proporcionará um bom emprego.
E os que já têm um bom emprego depositam suas expectativas em algumas coisas que normalmente não variam muito, estão entre uma casa espaçosa e confortável, um belo carro, potente e coisa e tal. 
Já aqueles - que precocemente decreto sortudos - que têm isso, desejam coisas como um grande amor ou filhos, viajar, essas coisas...
Mas quando há essas coisas queremos ainda mais, as vezes é apenas a vontade disso em maior quantidade, outras em um tempo mais demorado. De qualquer forma sempre essa mesmice, ah sim, as vazes queremos nos encontrar, queremos descobrir o que acreditamos em nossos pobres conceitos o que é espiritualidade ou como ter um vida saudável e plena. Dai nos engajamos em algo, de corpo e alma, doamos grande parte de nosso tempo a isso, o resto deixamos a nossa vida pessoal, pois queremos ser bons filhos, bons pais etc. 
No fim, morremos. E não percebemos, claro, estamos mortos. Porém, se agora ainda vivos pensarmos sobre tudo isso veremos que seja o que for podemos agir para conseguir independente de qual momento for.
Mas isso é uma bobagem, uma perspectiva criada em histórias já ouvidas, nessas noites frias que entramos em um boteco qualquer e ouvimos o que um desconhecido aleatório tem a nos dizer. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

01

Um dia corriqueiro de merda
Não acordei muito bem, e nem me senti mal por isso, afinal não havia porque estar feliz, levantar da cama agradecendo e coisas do tipo. Continuo na mesma, a mesma merda. Então, somando isso ao meu mau-humor matinal - que ocorre por volta das 15h, a hora que acordo. Fiquei com cara de cu e com preguiça da vida. Mas fui levando, almocei qualquer coisa, tomei um banho e fui pro curso (cursinho, curso pré-vestibular).
O metrô estava um saco, super cheio, desci 2 estações antes da minha e fui caminhando, vendo aquele monte de gente indo pra lá e pra cá na Avenida Paulista, todos apressados, talvez estejam atrasados para um jantar romântico ou com vontade de urinar, não sei.
Cheguei na escola 10 minutos atrasado para a primeira aula, achei melhor não entrar. Fui ao mercado mais próximo comprei 3 cervejas e uma vodka, fumei alguns cigarros, bebi 2 cervejas e logo deu a hora da segunda aula, entrei.
Aula é aula como sempre, aquela coisa, aquelas pessoas, variadas claro, mas outra hora falo disso. Assisti uma aula de física outra de química, enquanto bebia mais uma cerveja, sento no fundo da sala, deixo só a ponta da garrafa pra fora da sacola, sem problemas. Na terceira aula já não aguentava mais aquela chatice, levantei e sai da classe. Enquanto caminhava para a saída um grupo de garotas me parou:
- Oi, tudo bem?
- Tudo, o que você quer? - Eu não aguentava mais ficar ali mesmo.
- É que somos do curso de moda, e precisamos de alguém pra desfilar e você tem o perfil que queremos.
- Não sei, procurem mais, se não acharem ninguém dai voltem a falar comigo e a gente vê o que faz. - Disse isso já caminhando para a catraca de saída. 
Peguei um ônibus, desci num terminal, passei no banheiro (cerveja!), o banheiro era daqueles nojentos, público, onde sempre tem um velho tentando olhar pro seu pinto, sai e entrei em outro ônibus. 
Durante o trajeto pensei um pouco sobre hoje, a merda que foi, o dia em vão, não fiz nada, estou desempregado e não procurei um trabalho, preciso de uma bolsa pra fazer uma faculdade e não estudei para ter uma chance de ir bem no vestibular, bateu um arrependimento, mas tarde demais, já tô meio tonto e ainda tenho uma vodka na mochila, espero que ela dure até amanhã, pois vai que o dia não é muito bom novamente, dai nem preciso gastar mais.
Cheguei em casa, peguei meu celular, tinha algumas poucas mensagens, a única pra qual dei atenção foi para a de uma amiga que estava falando que pensa em cometer suicídio, se ela soubesse como vivo não teria falado comigo, tento ajudar de todas as maneiras, espero que funcione. Afinal, amanhã é outro dia, vai que melhore. A gente nunca sabe, mas sempre vai continuando, é o que esperam de nós, não é mesmo? As vezes é o que nós mesmo esperamos de nós, que tenhamos esperança em continuar. Sempre criando expectativas de um amanhã que não seja tão chato como hoje. 
Agora já são 4h, portanto já é amanhã, escrevo isso mas é contraditório ao que penso, pois acho um saco as pessoas que quando no relógio marca 00:01 ficam me corrigindo sobre algum fato que conto me referindo a hoje, amanhã só vai acontecer depois que eu dormir e principalmente depois que eu acordar, se acordar.
Já foi metade da vodka, tô bem tonto, vou deitar.