sábado, 14 de maio de 2016

02

Definitivamente a nossa vida se basea na expectativa. 
Eu, atualmente estudo com a expectativa de uma consiguir algum tipo de bolsa numa faculdade. 
Outras pessoas, que já estão na faculdade, continuam aguentando seus próprios calvários pois acreditam que isso lhe proporcionará um bom emprego.
E os que já têm um bom emprego depositam suas expectativas em algumas coisas que normalmente não variam muito, estão entre uma casa espaçosa e confortável, um belo carro, potente e coisa e tal. 
Já aqueles - que precocemente decreto sortudos - que têm isso, desejam coisas como um grande amor ou filhos, viajar, essas coisas...
Mas quando há essas coisas queremos ainda mais, as vezes é apenas a vontade disso em maior quantidade, outras em um tempo mais demorado. De qualquer forma sempre essa mesmice, ah sim, as vazes queremos nos encontrar, queremos descobrir o que acreditamos em nossos pobres conceitos o que é espiritualidade ou como ter um vida saudável e plena. Dai nos engajamos em algo, de corpo e alma, doamos grande parte de nosso tempo a isso, o resto deixamos a nossa vida pessoal, pois queremos ser bons filhos, bons pais etc. 
No fim, morremos. E não percebemos, claro, estamos mortos. Porém, se agora ainda vivos pensarmos sobre tudo isso veremos que seja o que for podemos agir para conseguir independente de qual momento for.
Mas isso é uma bobagem, uma perspectiva criada em histórias já ouvidas, nessas noites frias que entramos em um boteco qualquer e ouvimos o que um desconhecido aleatório tem a nos dizer. 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

01

Um dia corriqueiro de merda
Não acordei muito bem, e nem me senti mal por isso, afinal não havia porque estar feliz, levantar da cama agradecendo e coisas do tipo. Continuo na mesma, a mesma merda. Então, somando isso ao meu mau-humor matinal - que ocorre por volta das 15h, a hora que acordo. Fiquei com cara de cu e com preguiça da vida. Mas fui levando, almocei qualquer coisa, tomei um banho e fui pro curso (cursinho, curso pré-vestibular).
O metrô estava um saco, super cheio, desci 2 estações antes da minha e fui caminhando, vendo aquele monte de gente indo pra lá e pra cá na Avenida Paulista, todos apressados, talvez estejam atrasados para um jantar romântico ou com vontade de urinar, não sei.
Cheguei na escola 10 minutos atrasado para a primeira aula, achei melhor não entrar. Fui ao mercado mais próximo comprei 3 cervejas e uma vodka, fumei alguns cigarros, bebi 2 cervejas e logo deu a hora da segunda aula, entrei.
Aula é aula como sempre, aquela coisa, aquelas pessoas, variadas claro, mas outra hora falo disso. Assisti uma aula de física outra de química, enquanto bebia mais uma cerveja, sento no fundo da sala, deixo só a ponta da garrafa pra fora da sacola, sem problemas. Na terceira aula já não aguentava mais aquela chatice, levantei e sai da classe. Enquanto caminhava para a saída um grupo de garotas me parou:
- Oi, tudo bem?
- Tudo, o que você quer? - Eu não aguentava mais ficar ali mesmo.
- É que somos do curso de moda, e precisamos de alguém pra desfilar e você tem o perfil que queremos.
- Não sei, procurem mais, se não acharem ninguém dai voltem a falar comigo e a gente vê o que faz. - Disse isso já caminhando para a catraca de saída. 
Peguei um ônibus, desci num terminal, passei no banheiro (cerveja!), o banheiro era daqueles nojentos, público, onde sempre tem um velho tentando olhar pro seu pinto, sai e entrei em outro ônibus. 
Durante o trajeto pensei um pouco sobre hoje, a merda que foi, o dia em vão, não fiz nada, estou desempregado e não procurei um trabalho, preciso de uma bolsa pra fazer uma faculdade e não estudei para ter uma chance de ir bem no vestibular, bateu um arrependimento, mas tarde demais, já tô meio tonto e ainda tenho uma vodka na mochila, espero que ela dure até amanhã, pois vai que o dia não é muito bom novamente, dai nem preciso gastar mais.
Cheguei em casa, peguei meu celular, tinha algumas poucas mensagens, a única pra qual dei atenção foi para a de uma amiga que estava falando que pensa em cometer suicídio, se ela soubesse como vivo não teria falado comigo, tento ajudar de todas as maneiras, espero que funcione. Afinal, amanhã é outro dia, vai que melhore. A gente nunca sabe, mas sempre vai continuando, é o que esperam de nós, não é mesmo? As vezes é o que nós mesmo esperamos de nós, que tenhamos esperança em continuar. Sempre criando expectativas de um amanhã que não seja tão chato como hoje. 
Agora já são 4h, portanto já é amanhã, escrevo isso mas é contraditório ao que penso, pois acho um saco as pessoas que quando no relógio marca 00:01 ficam me corrigindo sobre algum fato que conto me referindo a hoje, amanhã só vai acontecer depois que eu dormir e principalmente depois que eu acordar, se acordar.
Já foi metade da vodka, tô bem tonto, vou deitar.